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Após a falha da colza, o que diz a investigação sobre clomazona e ressementeira?

Quando uma cultura de colza se perde, escolher o que semear a seguir pode tornar-se uma decisão urgente. Se foi aplicado um herbicida com clomazona, os resíduos no solo podem afetar a cultura de substituição. A descoloração e a redução do crescimento inicial são preocupações para plantas sensíveis expostas ao herbicida, como mostram os estudos de resposta das culturas.

Ilustração de uma inspeção da cultura

Ilustração

Para agricultores que ponderam semear trigo de inverno ou triticale poucas semanas após o tratamento, a questão é o que esses resíduos poderão significar para a emergência e o crescimento da nova cultura. Perceber por que motivo a clomazona provoca descoloração, durante quanto tempo os seus efeitos podem persistir e o que os estudos mostram sobre a sensibilidade das culturas ajuda a identificar o que deve ser verificado antes de voltar a semear.

Porque pode a clomazona descolorar plantas em emergência

Os danos causados pela clomazona estão associados à perturbação da produção de pigmentos nas plantas em desenvolvimento. A planta converte o composto original em 5-quetoclomazona. Este metabolito inibe a DXS (1-desoxi-D-xilulose-5-fosfato sintase), uma enzima da via plastidial MEP, que produz elementos necessários à formação de pigmentos. Com menos pigmentos carotenoides para as proteger, a clorofila e as membranas celulares ficam mais expostas aos danos provocados pela luz. Os tecidos novos podem então apresentar-se pálidos ou descolorados. Yasuor e colegas descrevem este mecanismo.

Em termos simples: A planta transforma a clomazona numa forma que interfere com a produção de pigmentos protetores. Sem proteção suficiente, os tecidos novos podem descolorar quando expostos à luz.

Este mecanismo ajuda a explicar um sintoma, mas não permite diagnosticar um campo. Yasuor e colegas estudaram o metabolismo da clomazona em plantas suscetíveis e resistentes de milhã-de-água, uma infestante. Encontraram mais metabolito ativo nas plantas suscetíveis. O resultado ajuda a explicar o mecanismo; não testa o trigo, o triticale nem a persistência do herbicida no solo.

Resíduos, persistência e resposta das culturas são questões diferentes

É necessário distinguir três questões: quanto herbicida permanece no solo, quanto pode chegar a uma planta e como responde uma cultura específica. Uma medição química ou uma estimativa da rapidez com que o herbicida diminui não mostram, por si só, se uma cultura sensível vai emergir sem danos. O tipo de cultura, a exposição e as condições de crescimento também afetam a resposta.

Em termos simples: Encontrar menos clomazona no solo não permite saber, por si só, como vai crescer uma cultura. Também contam a quantidade a que a planta pode estar exposta e a sua sensibilidade.

A persistência da clomazona varia consoante as condições. A revisão de 2025 da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) relata uma persistência no campo moderada a elevada em 27 locais europeus e uma degradação mais lenta em incubação anaeróbia (sem oxigénio) do que em condições aeróbias (com oxigénio). Estes resultados desaconselham uma regra simples segundo a qual o tempo húmido elimina sempre os resíduos mais depressa. Descrevem o destino ambiental em diversas condições de estudo; não definem um intervalo de sementeira para trigo ou triticale.

Nenhum fator isolado do solo permite concluir completamente sobre a adsorção e a disponibilidade. Adsorção significa ligação às partículas do solo. Na evidência analisada pela EFSA, a adsorção não dependeu do pH. A textura e a matéria orgânica do solo, a humidade, a temperatura, o arejamento, o método de aplicação e outras condições locais podem afetar a exposição ou a degradação, como explica o estudo de 2025 sobre sensibilidade das culturas e degradação. Um valor de pH ou um número fixo de dias não substituem o rótulo do produto nem uma avaliação da resposta da cultura pretendida.

O que mediram — e não mediram — os estudos sobre culturas

O estudo de 2025 sobre sensibilidade das culturas e degradação mostra que a resposta das culturas e a persistência podem variar. Combinou bioensaios curtos em vasos, em condições controladas, com ensaios de trigo e soja no campo na Sérvia. Nos ensaios de campo, foram usados bioensaios com mostarda para estimar a atividade herbicida restante. O ensaio de 14 dias com trigo em vasos usou um solo franco-arenoso com pH 7,43 e 2,7% de matéria orgânica. São condições de ensaio específicas, não uma representação das condições de outro campo.

Um bioensaio mede a resposta de uma planta de teste quando cresce em solo tratado; não mede diretamente o resíduo químico. Uma análise química mede a substância numa amostra, mas isso, por si só, não indica como uma cultura vai responder. Nos ensaios de campo, o estudo usou a resposta das plantas para estimar a atividade residual.

Evidência Condições e resultado medidos Relevância e limite para esta decisão
Jovanović-Radovanov (2025), bioensaios de trigo em vasos O trigo Venera cresceu durante 14 dias em solo franco-arenoso tratado. O peso fresco da parte aérea foi 16,27% a 45,88% inferior ao do controlo não tratado, para concentrações de solo testadas entre 360 e 1 440 μg/kg. Resultado controlado de resposta da cultura. As concentrações no solo são quantidades por quilograma de solo, não doses aplicadas por hectare, intervalos seguros ou resultados de produtividade.
Jovanović-Radovanov (2025), ensaios de campo e persistência Dois ensaios de soja na Sérvia usaram 480, 720 e 960 g de substância ativa/ha. A atividade residual foi estimada com bioensaios de mostarda. A Tabela 6 indica semividas das concentrações estimadas de 43 e 55 dias nos dois anos. Contexto de campo, mas não uma medição de resíduos químicos nem um ensaio de ressementeira de cereais. Os anos diferiram na meteorologia e na calendarização, pelo que as comparações de aplicação não isolam o efeito da mobilização do solo.
EFSA et al. (2025), revisão do destino ambiental Analisou o destino no campo em 27 locais europeus e evidência de degradação aeróbia/anaeróbia. Sustenta a variabilidade ambiental, mas não a segurança da emergência de uma espécie específica nem a autorização indicada no rótulo do produto.

Neste contexto, μg/kg significa microgramas de substância ativa por quilograma de solo. A unidade dos ensaios de campo, g de substância ativa/ha, significa gramas de substância ativa aplicadas por hectare.

O estudo também apresenta uma resposta dos carotenoides, que é uma medição de pigmentos, não um resultado de produtividade. O resultado obtido em trigo não é um resultado em triticale, e esta revisão não encontrou um ensaio de campo de ressementeira de cereais às seis a sete semanas após o tratamento. O ensaio em vasos mediu o peso fresco da parte aérea: a massa fresca do crescimento da plântula acima do solo após 14 dias. Não mediu a produtividade final de grão.

Neste estudo, semivida é o tempo modelado para a concentração estimada de clomazona biodisponível (disponível para ser absorvida ou encontrada pelas plantas) descer para metade do seu valor inicial, nas condições do modelo ajustado. Essa concentração foi inferida a partir dos resultados dos bioensaios. Descreve o ensaio e o modelo do estudo; não é um intervalo seguro de sementeira.

Em termos simples: Uma semivida de 43 ou 55 dias não assinala uma data a partir da qual seja seguro semear. Descreve a rapidez com que a concentração estimada disponível para as plantas diminuiu nas condições do modelo; não prevê a resposta do trigo ou do triticale noutro campo.

Separe a evidência científica da autorização indicada no rótulo

Para um campo na Polónia, o registo atual do Ministério da Agricultura e a coleção de rótulos dos produtos são pontos de partida para verificar o produto exato e a autorização em vigor. Os rótulos de 2024 do Chlomazon 480 EC e do Command 480 EC, publicados pelo Ministério, ilustram instruções específicas para falha da cultura e misturas. Consulte as restrições no rótulo do produto efetivamente aplicado no campo. Verifique cada produto e cada componente da mistura segundo o respetivo rótulo exato em vigor e a regulamentação local aplicável. Um guia da University of Wisconsin Extension descreve os bioensaios de campo como uma forma de avaliar possíveis danos e indica que não substituem o intervalo de rotação. As recomendações desse guia para culturas nos EUA não estabelecem uma restrição para a Polónia.

Questões a colocar a um consultor local

Antes de encomendar semente ou trabalhar o campo, reúna o registo da pulverização: nome completo e formulação do produto, data, dose, área tratada, produtos aplicados em mistura e eventuais passagens sobrepostas. Junte observações sobre a cultura perdida, informação do solo, precipitação e operações planeadas no campo. Peça a um consultor local que verifique o texto sobre falha da cultura e rotação de cada produto e se uma inspeção do campo ou um bioensaio com solo tratado representativo e a cultura pretendida poderá ser útil.

Referências

  • EFSA (Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos), Álvarez, F., Arena, M., et al. 2025. “Peer review of the pesticide risk assessment of the active substance clomazone.” EFSA Journal 23(2), e9206. DOI: 10.2903/j.efsa.2025.9206. Texto integral.
  • Jovanović-Radovanov, K. 2025. “Susceptibility of Different Crops to Simulated Clomazone Carry-Over and Its Degradation Dynamics in Sandy Loam Soil.” Agronomy 15(7), 1538. DOI: 10.3390/agronomy15071538. Texto integral.
  • Yasuor, H., W. Zou, V. V. Tolstikov, R. S. Tjeerdema e A. J. Fischer. 2010. “Differential Oxidative Metabolism and 5-Ketoclomazone Accumulation Are Involved in Echinochloa phyllopogon Resistance to Clomazone.” Plant Physiology 153(1), 319–326. DOI: 10.1104/pp.110.153296. Texto integral.
  • University of Wisconsin–Madison Division of Extension. s.d. “Herbicide Rotational Restrictions for Cover and Forage Cropping Systems.” Artigo.
  • Ministry of Agriculture and Rural Development of Poland. 2024. Rótulos de “Chlomazon 480 EC” (27 de setembro de 2024) e “Command 480 EC” (15 de janeiro de 2024). Rótulo Chlomazon · Rótulo Command · Registo atual · Coleção de rótulos.

Perguntas frequentes

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